Junior Silva, o menino de 12 anos que fez sucesso na internet dando aulas de crochê, teve sua página no facebook suspensa após denuncias dos usuários. As pessoas denunciaram basicamente por dois motivos: algumas acreditam que essa é uma atividade reservada apenas para as meninas e outras por entenderem que ele deveria estar brincando, e não fazendo crochê, o que classificaram como trabalho infantil. Mas, mesmo que a intenção seja boa (proteger uma criança da exploração do trabalho infantil), será que o exagero no zelo não está prejudicando mais que ajudando?

Trabalho infantil é crime e deve ser combatido, a infância precisa ser preservada. Agora, se uma criança tem determinado interesse, deseja aperfeiçoa-lo e ganhar um dinheirinho com ele, será que a escolha certa é desencentivar? Não estaríamos vendo em Junior uma veia empreendedora que sabiamente está sendo estimulada pelos pais?

Caso o menino fosse submetido a uma rotina cansativa de trabalho e o dinheiro de seus crochês usados para bancar as despesas domésticas com certeza teríamos um problema. Mas, a situação é bem diferente segundo a mãe de Junior, Denise Vieira:

“Tem muita gente que dizia para ele largar o crochê, que um menino na idade dele tinha que brincar com outras coisas. As pessoas não entendem que ele só pega o crochê quando vai gravar um vídeo. Fora isso, ele brinca, vai à escola, faz as coisas normalmente”

O menino faz crochês a hora que quer e usa o dinheirinho recebido para suas próprias necessidades, como tomar sorvete: Um interesse produtivo e genuíno sendo incentivado pelos pais, e não exigido.

Quer ver um exemplo real?

Silvio Santos aos 14 anos estudava e, 45 minutos por dia, vendia capinhas para título de eleitor e canetas. Será que ele seria quem é hoje se fosse desincentivado pelos pais?

E os diversos youtubers que vemos por aí: só é permitido um adolescente criar vídeos de jogos ou humor?

O facebook explicou que, após várias denúncias, averiguaram a página de Junior e descobriram que uma regra havia sido violada: o menino ainda não tinha 13 anos, a idade mínima exigida pela mídia social, e sim 12 anos. Então, apenas por esse fato, excluíram a página. A alternativa foi criar uma nova opção na conta da mãe.

Mas, no primeiro momento, o menino ficou desolado:

“Ele ficou muito arrasado por perder a página. Queria até desistir e falou pra mim: ‘Mãe, eu não vou mais fazer’. Mas depois que ele viu o sucesso da nova página, ficou todo feliz” contou a mãe.

Infelizmente até as boas intenções podem ter resultados negativos. Não basta pensar em fazer o bem: é preciso se informar da situação na qual estamos nos metendo para não  atrapalhar coisas produtivas. A boa intenção não anula uma injustiça.

Tomar responsabilidade por nossas ações e suas consequências 🙂

O lado bonito dessa história é que Junior, valente e otimista, não se deixou abater por muito tempo:

“Estou muito feliz com minha nova página. Eu fiquei muito triste de perder meu perfil com 50 mil seguidores. Até pensei em desistir de tudo, mas vou começar e conseguir o dobro. Cabeça erguida.”

Vai com fé Junior!!

Para conhecer o trabalho dele Clique Aqui!

Fontes: G1, Revista PEGN, Endeavor


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COMENTÁRIOS (4)
  1. Roubar e matar pode , e não vai preso por se de menor, fazer algo que gosta e que não prejudica ninguém, é denunciado pelos invejosos de plantão. Espero que ele continue sua atividade de cabeça erguida, pois o que ele faz é uma terapia sem igual muito melhor que muitos games da vida. Que Deus o proteja sempre, parabéns.

  2. Sinceramente, essa pseudo-protecao infantil esta me dando nos nervos. A hipocrisia no Brasil esta se tornando sistemica-endemica. Alem, e claro, de punir tudo que venha a faturar. Uma mentalidade completamente fora do normal do progresso e do incentivo.
    Explico aqui o porque. Quando eu era pequena, nos veroes, eu e minha prima colocavamos um caixote em frente ao portao da casa de praia do meu avo, que ficava numa rua movimentada. Cobriamos com um tecido qualquer, e compravamos balas, chocolates, brinquedinhos. O dinheiro faturado era dividido por tres, para mim, para minha prima, e o investimento do dia seguinte. Pedimos dinheiro apenas uma vez, para a compra inicial, e depois investiamos no nosso "negocio".
    Resultado: Final de verao com dinheiro, tomavamos picoles e comiemos misto quente com refrigerante o verao todo, e sobrava dinheiro para nossas coisinhas de menina que eram colocadas no estojo.
    Melhor resultado ainda: duas advogadas,formadas com louvor. Uma mora nos EUA (eu) e a outra em Sao Paulo, Socia de um escritorio de advocacia internacional, que atende a nada menos que cinco paises.
    Simples assim! A mentalidade da superprotecao esta formando preguicosos e presuncosos, pois sao mimados e acoitados pela sociedade.
    #prontofalei!

    1. Maria Thompson, discordo do seu ponto de vista. A proteção infantil é importantíssima, não só no Brasil, como em qualquer outro País do mundo. O Estatuto da criança e do adolescente foi uma conquista que deve ser comemorada. Não podemos esquecer que existem muitas crianças em situação de vulnerabilidade social que precisam de auxílio. Em relação ao caso que você narrou, vejo como louvável o seu interesse em empreender.
      Isso, sem dúvida, foi algo que você deve ter aprendido com os seus pais /avós e deve ser grata por isso, pois não fosse pelo incentivo do avô o seu projeto não teria decolado. Embora esteja discordando, não estou criticando. Apenas quero deixar claro que incentivo, apoio e ajuda são essenciais em qualquer idade. A hipocrisia existe, sim, mas não podemos esquecer que o interesse da criança é preponderante.

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