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1.O JULGAMENTO

Quando te vejas perdido, lembra-te, só a audácia te salvará!

Conta uma antiga lenda que na idade média um homem muito virtuoso foi injustamente acusado de haver assassinado uma mulher.

Na realidade o verdadeiro autor era uma pessoa muito influente do reino, por isso, desde o primeiro momento, se procurou um bode expiatório para encobrir o culpado.

O homem foi levado à julgamento já sabendo que tinha pouca ou nenhuma chance de escapar ao terrível veredito… a forca!!

O juiz que fazia parte do complô, tratou de dar um aspecto de julgamento justo e para isso disse ao acusado: Conhecendo tua fama de homem justo e devoto ao Senhor deixaremos nas mãos Dele o teu destino, vamos escrever em dois papéis separados as palavras culpado e inocente tu escolherás um deles e será a mão de Deus que decidirá o teu destino.

Logicamente o mau juiz havia preparado os dois papéis com o mesmo escrito CULPADO e a pobre vítima mesmo sem saber os detalhes dava-se conta que o sistema proposto era uma armadilha.

Não havia escapatória. O juiz ordenou ao homem que tomasse um dos papéis dobrados.

Este respirou fundo, ficou em silêncio por alguns segundos com os olhos fechados, e quando a sala começava a ficar impaciente, abriu os olhos e com um estranho sorriso pegou um dos papéis levou-o à boca e o engoliu rapidamente. Surpreendidos e indignados os presentes o reprovaram sonoramente: ” O que você fez? E agora? Como vamos saber o veredito? ”

“É muito simples respondeu o homem:
É só ler o papel que ficou e saberemos o que dizia no que eu engoli.”

“Com reclamação e raiva mal dissimulada tiveram de libertar o acusado que jamais voltaram a molestar.

 

2. O MENINO E AS UVAS

Um dia a mãe mandou seu filho Nelsinho, de sete anos, comprar dois quilos de uvas no mercado. O homem pesou as uvas e entregou ao menino.

Após certa demora, o menino voltou satisfeito, e entregou as uvas para a mãe. Ao pegar o pacote, dona Lídia achou que estava muito leve, pesou e já telefonou para o mercado.

– Seu Manoel, o Nelsinho chegou com as uvas. Mas eu pedi dois quilos. Parece que o pacote não tem isso, não.

– A senhora pesou as Uvas?

– Sim, pesei na venda ao lado. Deu menos de dois quilos.

– Pode ser que minha balança não esteja certa. Antes, porém lhe dou uma sugestão. Não leve a mal: seria bom pesar o menino também, antes e depois de comprar as uvas.

Dona Lídia captou a mensagem: O quitandeiro podia ter passado a perna. Mas o menino também poderia ter comido as uvas no caminho.

Quando nossos filhos tem alguma questão com colegas ou professores, sempre achamos que só os outros estão errados…

3. O PERIGO DOS PRESSUPOSTOS

Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou que ele viesse acompanhado por um cão. Cão forte, saltitante e com um ar agressivo. Abriu a porta e cumprimentou o amigo, efusivamente.

– “Quanto tempo!”

– “Quanto Tempo” ecoou o outro.

O cão aproveitou a saudação e entrou casa adentro, logo um barulho na cozinha demonstrava que ele tinha virado qualquer coisa. O dono da casa encompridou as orelhas. O amigo visitante, porém nada.

– “A última vez que nos vimos foi em …”

O cão passou pela sala, entrou no quarto e novo barulho, desta vez de coisa quebrada. Houve um sorriso amarelo do dono da casa, mas perfeita indiferença do visitante.

– “Quem morreu foi o … você se lembra dele?”

O cão saltou sobre um móvel, derrubou um abajur, logo trepou as patas sujas no sofá e deixou a marca digital e indelével de seu crime. Os dois amigos, tensos, agora fingiram não perceber.

Por fim, o visitante se despediu e já ia saindo quando o dono da casa perguntou:

– “Não vai levar seu cão?”

– “Cão? Ah, cão! Oh, agora estou entendendo. Não é meu não. Quando eu entrei ele entrou comigo tão naturalmente que pensei que fosse seu”.

4. O PAI E O FILHO NA MONTANHA

De repente, o menino cai, se machuca e grita:

– ai!!!

para sua surpresa, escuta sua voz se repetindo em algum lugar da montanha:

– ai!!!

curioso o menino pergunta:

– quem é você? e recebe como resposta:

– quem é você?

contrariado grita:

– seu covarde!

e escuta como resposta:

– seu covarde!

o menino olha para o pai e pergunta, aflito:

– o que é isso?

o pai sorri e fala:

– meu filho, preste atenção, então o pai grita em direção à montanha:

– eu admiro você!

a voz responde:

– eu admiro você!

de novo, o homem grita:

– você é um campeão!

a voz responde:

– você é um campeão!

o menino fica espantado. não entende. e o seu pai explica:

– as pessoas chamam isso de eco, mas, na verdade, isso é a vida.

A vida lhe dá de volta tudo o que você diz, tudo o que você deseja de bem e mal aos outros.

A vida lhe devolverá toda blasfêmia, inveja, incompreensão, falta de honestidade que você desejou, praguejou às pessoas que lhe cercam.

Nossa vida é simplesmente o reflexo das nossas ações.

Se você quer mais amor, compreensão, sucesso, harmonia, fidelidade crie mais amor, compreensão, harmonia, no seu coração.

Se agir assim, a vida lhe dará felicidade, sucesso, amor.

5. EU TENHO RAZÃO

Esgrimindo esta frase: eu tenho razão,
Desfazem-se os casamentos,
Perdem-se os amigos,
Pais e filhos se afastam,
Os povos vão à guerra,
As discussões se estendem e azedam,
Destroem-se os diálogos,
Matam-se os homens.

Mas quem tem razão?

Razão é uma virtude que só é possuída por quem acredita que não a tem.

Porque, se acredita no contrário, já não a tem.

Pois ninguém tem toda a razão.

Todos têm, da razão, alguma coisa (contanto que falem com mediana
razoabilidade).

Em caso de discussão, ninguém tem toda a razão com exclusividade.

Não é possível a ninguém conhecer a verdade completa de todas as coisas,
sob todos os aspectos. Vale dizer, de coisa nenhuma.

Somente o Uno, Aquele que tudo conhece e que é a própria Verdade, tem toda a Razão.
E justamente Aquele que tem toda a razão permite que nós também tenhamos a nossa pequena parte da razão.

O importante é respeitar a parte de razão “do outro” – mas sem reticências,
com sinceridade.

É preciso reconhecer que o outro pode perceber aspectos que eu não vejo.

Desde que coisas e problemas apresentam diversos ângulos e que eu, a partir
da minha perspectiva, não os posso ver todos…

Ninguém tem toda a razão.

Mas todos nós temos, normalmente, uma parcela de razão.

Às vezes maior, às vezes menor. Mas uma parcela.

Quem concede e compreende a razão do outro, aumenta o grau da sua própria
razão.

Quem se fecha na sua única razão, amesquinha essa razão. Limita-se. Tem
menos razão.

Ao dialogar, é necessário ser compreensivo.

Diálogo compreensivo é o daqueles que tentam compreender a posição
contrária, não, porém, a partir de sua própria perspectiva e, sim, a partir
da perspectiva contrária.

As coisas, a partir da perspectiva do outro, serão vistas de outro modo.

Surgirá um ângulo que antes não era visto.

Os fanáticos de uma determinada ideologia só enxergam uma única
perspectiva, e se negam a ver outra, diferente dessa.

Quanto mais fanáticos são eles, mais se obcecam na própria atitude e menos
querem examinar outra, diferente.

Os fanáticos tanto mais se amesquinham quanto maior for o seu fanatismo.
Quanto mais cegos ficarem, menos razão terão.

Os fanatismos podem ser políticos, artísticos, científicos, esportivos,
filosóficos, religiosos, nacionalistas, racistas, sociais… e pessoais.

Fanatismo é um tipo de cegueira espiritual.

O único modo de crescer como pessoa e viver mais intensamente é crescer em
amplidão de consciência e compreensão do mundo.

Os fanáticos orgulham-se de viver com etiquetas. E, na maioria dos casos,
defendem-nas com atitudes cegamente fanáticas.

Aparentemente, o fanatismo é um dos modos de essas pessoas apregoarem a
insegurança que sentem.

Elas precisam manter teimosamente suas atitudes de teimosia e rejeição às
atitudes alheias porque interiormente reconhecem a pouca consistência de
suas idéias.

Tornam-se pequenos ou grandes cegos; pequenos ou grandes “sem razão”.
Você, a exemplo do antigo filósofo, seja amigo de Catão, porém, mais amigo
da Verdade.

A razão da imensa, da infinita verdade, você a terá: ela será concedida a
você na medida em que reconhecer que não está com toda a razão.

6. UM DIA VOCÊ APRENDE

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por  muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos  para destruí-la… E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam… Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa… por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo  para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas para onde está indo… mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.

Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… e que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem, pelo menos, dois lados.

Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens… Poucas  coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém…
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. Aprende  que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

7. ANATURA

Era uma vez uma jovem chamada Anatura. Ela vivia sozinha em uma grande casa no alto de uma montanha. A casa era rodeada de árvores, flores, além de doces e mansos animaizinhos, todos seus amigos, com os quais costumava brincar sempre que podia.

Anatura se dividia entre o trabalho no escritório de uma grande empresa – a alguns quilômetros dali – e o serviço de casa. Isso a deixava muito cansada. Um dia ela resolveu arrumar quem a ajudasse. E, a exemplo de Branca de Neve, convidou seus amiguinhos para viverem com ela – o que poderia ser uma grande ajuda. Eles gostaram muito da idéia. Havia passarinho, coelho, gato, cachorro, ratinho, galinha, pato, marreco, coruja, raposa, hamster e até um gremlim bem comportado.

A cada um foi destinada uma tarefa específica, como cuidar da louça, lavar e passar a roupa, limpar a casa, os banheiros, arrumar as camas, cozinhar, limpar o jardim, regar as plantas, limpá-las de ervas daninhas, providenciar a lenha da lareira etc. O setor de abastecimento seria de responsabilidade de Anatura.

Ela lhes ensinou, cuidadosamente, cada tarefa, com muito carinho e paciência. A partir de então, passaram a conviver, pacificamente, felizes, nessa casa.

Cada um deles, porém, se alimentava de uma maneira diferente. Ingeriam alimentos diferenciados, adequados a suas naturezas, trazidos por Anatura no final do dia, quando voltava do trabalho.

A paz reinava completa nesse lar, cheio de amizade, compreensão e companheirismo, cada um fazendo a sua parte.

Até que um dia acabou a cenoura de D. Coelha, que era a responsável pela cozinha . Ela cuidou da alimentação de todos, porém, ficou sem comer nada. No dia seguinte Anatura, um pouco febril por causa de um resfriado, acabou se esquecendo de trazer sua cenoura.

D. Coelha ficou mais um dia sem ter o que comer. No 3º dia já estava ligeiramente fraca e não deu conta de preparar as refeições dos coleguinhas. Foi uma grita geral! Todos com fome! Revoltados!

Quando Anatura chegou, novamente havia se esquecido da cenoura. Nessa noite todos ficaram sem jantar, até mesmo Anatura.

No dia seguinte, descontentes e com fome, todos fizeram greve e nenhuma tarefa foi executada.

Foi um desequilíbrio total naquela casa. O trabalho de cada um deles era diretamente subordinado ao do outro. Se a roupa não foi lavada, não poderia ser passada e nem guardada pela arrumadeira! Se não havia comida, não havia mesa para arrumar e nem louça para lavar! E assim por diante…..

Anatura, consciente de sua responsabilidade pela situação desagradável, esmerou-se na recuperação do equilíbrio de seu lar. Cuidou de cada um dos seus amiguinhos com muito amor, atenção e dedicação, dando a cada um deles o que estava sendo solicitado. Tratou de cada um da maneira que mereciam ser tratados, resguardando suas diferenças individuais e preferências. Tomando todo o cuidado para manter o respeito a cada um deles, pois eram muito importantes para ela.

Felizmente, depois de alguns dias, tudo estava normalizado. A paz voltou a reinar naquela casa, onde todos viveram felizes para sempre.

ASSIM É O NOSSO CORPO.

Se nós o alimentarmos adequadamente e lhe dermos a devida atenção, ele responde trabalhando na mais perfeita harmonia, com todos os órgãos auxiliando-se uns aos outros.

Se nos faltar algum tipo de “alimento”, quer seja físico, mental ou emocional, todo o nosso equilíbrio estará comprometido e distúrbios podem surgir em todas essas áreas.

Uma doença nada mais é do que a parte do nosso corpo, mente ou coração reclamando desatenção ou tratamento inadequado.

Da mesma forma que Anatura conseguiu reequilibrar a sua casa, geralmente conseguimos melhorar o nosso corpo físico, mental e emocional. Em alguns casos, porém, talvez já não seja suficiente apenas a reposição da cenoura de D. Coelha.

8. O MUNDO VAI SE ACABAR

Liana estava em seu quarto sozinha, de madrugada, pensando nos seus problemas e inúmeras dúvidas, principalmente em relação ao futuro e ao seu próximo casamento com o namoradinho de infância.

De repente, ela viu surgir na sua frente uma linda mulher, envolta em um halo de luz dourada, como uma aparição angelical, que lhe disse:

– Liana, o mundo vai se acabar em 30 dias. Seja feliz! Você só tem 30 dias para isso. Adeus!

Dizendo isso a mulher dourada lhe entregou um papel onde estava escrito exatamente o que acabara de lhe dizer. E desapareceu.

Liana ficou muito intrigada e adormeceu, mais confusa do que já estava.

Na manhã seguinte, ao acordar, Liana pensou haver sonhado um sonho estranho e não deu muita importância, até o momento em que encontrou um papel escrito em letras douradas, na sua escrivaninha, contendo as frases da aparição noturna.

– Então foi verdade! – pensou.

Contou para todas as pessoas. E ninguém acreditou nela.

– Você deve ter sonhado com isso. E você mesma escreveu. O papel é igual ao do bloco que há em cima da sua escrivaninha. Imagine! O mundo se acabar em 30 dias! Essa é muito boa! – disse sua mãe.

As únicas pessoas que acreditaram nela foram suas amigas, desde os tempos de colégio, Terina e Elisia, também de 20 anos, como ela.

Fizeram, então, uma reunião para decidir o que fazer para serem felizes em 30 dias: – viajar, comprar roupas, objetos, carros; passear, divertir-se ao máximo em festas, boates, discotecas, teatros, cinemas; namorar, visitar amigos, parentes queridos, enfim, tudo que fosse possível para ser feliz.

Porém, como haveriam de fazer tudo isso, se não tinham dinheiro? Decidiram pedir emprestado aos pais, a amigos ou ao banco. Daí surgiu a questão sobre como pagar os empréstimos.

– Se o mundo vai se acabar em 30 dias, não precisaremos pagar! – concluiu Liana.

E foi o que fizeram. Arrumaram empréstimos em bancos e com os pais e trataram de se divertir o quanto podiam. Para começar, Liana desmarcou o casamento, sobre o qual não estava muito certa, pelo menos naquele momento da sua vida. Queria conhecer outras pessoas, outros rapazes, viajar, enfim, aproveitar o que lhe restava de vida.

As três amigas, para espanto de todos, mudaram todos os seus comportamentos e gostaram muito disso. Fizeram excelentes passeios, conheceram pessoas, novas amizades, novos namorados, viagens, compras, enfim, tudo o que tinham vontade, durante 29 dias.

Na noite do 29º dia decidiram permanecer juntas, pois no dia seguinte.

Passaram a noite observando qualquer acontecimento diferente, à espera do momento em que o mundo se acabaria.

O dia amanheceu e nada aconteceu. As horas transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e nada de estranho ocorreu.

Muito surpresas, viram chegar a noite do 30º dia, sem novidade. Ocorreu-lhes, então, a idéia de que poderia ter havido um engano.

– Vamos verificar o bilhete da mulher dourada – disse uma das três amigas.

E assim foi feito. De fato, a frase do bilhete não era de que o mundo iria se acabar em 30 dias, como Liana havia lido, transtornada pela emoção do momento, mas sim, em 300 dias.

Ficaram muito felizes ao constatar que ainda tinham mais 270 dias para se divertirem.

– Esperem! Acho que agora estamos com um problema! Já que o mundo não se acabou, teremos de pagar as contas! – disse Liana, assustada.

– É mesmo! O que faremos agora! – responderam as outras duas.

– Vamos pensar com calma e encontraremos uma solução.

Resolveram que cada uma deveria procurar trabalhar naquilo de que mais gostava de fazer e sabia fazer melhor.

Liana gostava de plantas. Terina tinha um talento bastante desenvolvido para vendas. Elisia gostava mesmo era de fazer doces.

Desenvolveram uma espécie de microempresa, nos fundos da casa de uma delas. Lá Liana começou a cultivar várias espécies de flores e a fazer desenhos sugerindo o uso delas. Planejava até aprender a desenvolver sofisticados projetos de jardinagem. Elisia fazia e confeitava bolos ornamentais que, com a prática, ficavam cada vez mais elaborados. Fazia também docinhos, bombons, tortas e pudins deliciosos. A tarefa de vender os produtos da empresa ficava por conta de Terina, que se saía muito bem nesse empreendimento, a tal ponto que quase não davam conta de atender a todas as encomendas.

Com muita dedicação, responsabilidade, confiança em si mesmas e na sua capacidade de trabalho, cada uma das três amigas, apenas dando vazão a seus respectivos talentos, conseguiu pagar, em poucos meses, todos os empréstimos que havia feito de terceiros.

Gostaram tanto dessa experiência que continuaram em atividade. Enquanto trabalhavam estavam se divertindo e seus negócios crescendo na mesma proporção de seu entusiasmo.

Até que, finalmente, chegou o 299º dia.

Elas até ficaram um pouco tristes, pois esses últimos dez meses haviam sido os melhores de suas vidas, tanto em diversões, descobertas de seu próprio potencial, encontros com suas capacidades, autoconfiança e muitos outros recursos que nem sequer imaginavam ter.

Reuniram-se novamente, como naquela noite do 29º dia, e aguardaram a chegada do fim do mundo. Conversaram muito. Fizeram um balanço e concluíram o quanto tinha sido proveitoso acreditarem em si mesmas. Agradeceram a Deus a oportunidade que tiveram de desenvolver todas suas potencialidades e talentos, os quais elas nem mesmo conheciam. Quando o mundo se acabasse, afinal elas podiam dizer que foram felizes e que viver, realmente, tinha valido a pena.

E, NO 300º DIA…

O mundo não se acabou!!!

Quem, na vida, se iludir com sonhos mirabolantes, planos fantasiosos ou qualquer tipo de ilusão, fatalmente será obrigado a pagar o devido preço pela sua ingenuidade ou pela sua irresponsabilidade.

Isto é apenas uma história, porém capaz de lembrar que, quando alguém se dispõe a assumir a responsabilidade pela própria qualidade de vida, tem a chance de se deparar com capacidades suas, até então desconhecidas.

Ao invés de esperar um empurrão da Vida, como aconteceu com as garotas, acredito que seja possível para qualquer pessoa começar, a partir de já, a entrar em contato com essas capacidades que certamente estão guardadas dentro de cada um, à espera de serem mostradas.

E para que haja alguma mudança na vida basta que se faça algo novo. Continuar com os mesmos comportamentos, só trará os mesmos resultados de sempre.

E você, o que faria se tivesse apenas 30 dias para ser feliz? E se fossem 300?


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