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  • Um conto de Natal, de amigo secreto e inimigo declarado

    Calma, não pretendo falar mal de ninguém, nem citar lista de desafetos. Mas sabe como é, hoje é véspera de Natal e o papo não dá trégua nem em dias santos e muito menos nos feriados! Estava pensando no Natal, no seu significado, fazendo aquele exame básico de consciência. No Reveillon, são tantas as distrações da festa, que não dá tempo de passar o ano a limpo. Mas no Natal dá, o espírito da festa, mais família, mais caseiro, leva naturalmente à reflexão, ao retiro espiritual. Pelo menos antes da ceia, dos presentes, do amigo secreto e daquela troca de abraços com familiares que a gente só vê uma vez por ano. “Lembra da tia Esmeralda?” Você não lembrava da tia Esmeralda, nem sabia que tinha uma tia Esmeralda, mas, vá lá, abraço e tapinha nas costas da tia Esmeralda, é Natal! Engraçado que, há pessoas nas nossas vidas que merecem ser vistas, ouvidas, sentidas o ano todo, mas ainda assim, só lembramos das coitadas no Natal. Eu sei, é a correria do trabalho, o dia-a-dia atribulado, tanto para fazer e tão pouco tempo. Mas, vamos nos esforçar para tirar esse povo da geladeira em 2009. Anote aí no seu caderninho: visitar tia Aparecida pelo menos uma vez por mês. Marque ao lado, 500 sessões extras de abdominal. Os biscoitos da tia Aparecida…hummm…ninguém faz igual.

    E falar em Natal, lembramos logo da família e falar em família, a palavra mico vem colada feito um post-it. Você deve estar rindo agora das situações inusitadas que ocorreram na comemoração do ano passado. Tio Alberto bebeu muito e tirou a vassoura pra dançar? Juninho, aquele seu primo meio chatinho, grudou chiclete na árvore de Natal? Nada disso? Então pelo menos um miquinho de amigo secreto você tem para contar. Tia Rosana comprou uma blusa linda para você, igualzinha a da atriz da novela das oito, mas era três números menor que o seu. No auge da empolgação, todo mundo batendo palmas e gritando, veste, veste, veste, você coloca a blusa e…não entra. Tia Rosana, não satisfeita, diz na frente de todo mundo, “mas era seu número!”. Provavelmente era, quando você tinha 14 anos.

    Amigo secreto no trabalho então, nem fale menina, cada orangotango que a gente paga. Já te deram calcinha fio-dental de presente? E um livro com um título exdrúxulo do tipo Como agarrar um marido rico em três lições? O amigo secreto, em certos casos, vira inimigo declarado, como na festa do trabalho de uma amiga minha. O colega, que chegou atrasado ao barzinho e não sabia que o rapaz com cara de poucos amigos ao lado da colega era o marido, trouxe um perfume de presente e soltou a pérola: “esse perfume é para fulana, que tem o cangote mais cheiroso do escritório”. Já imaginou a cena? Sim, teve cadeira voando, soco no nariz e gritinhos histéricos no melhor estilo saloom do velho oeste. Mas o Natal não seria essa festa ansiosamente aguardada se não tivesse essas histórinhas engraçadas para passar o resto do ano “na resenha”. E se você é do tipo que não vai em festas, foge da família no Natal e nem cumprimenta os vizinhos porque acredita que “essa festa é só comércio”, não se preocupe, esse post é para você também, pois do seu jeito, aposto que comemora. Um bom livro, um filminho, um lanche caprichado à meia-noite, não importa o tamanho da sua comemoração. Natal é um sentimento de dentro para fora e o tal espírito natalino, de compaixão, carinho e amizade, dura o ano inteiro. É só a gente fazer uma forcinha. Feliz Natal!

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