Uma ótima reflexão sobre a meditação.  O que consiste a meditação? Auto-conhecimento?  Leia, medite e reflita:

 

A meditação exige uma mente espantosamente ágil; é uma compreensão da totalidade da vida, na qual cessou toda fragmentação, e não uma vontade dirigindo o pensamento. Quando este último é dirigido, provoca um conflito na mente, mas quando se compreende sua estrutura e sua origem, […] ele pára de intervir.

Essa compreensão da estrutura do pensamento é sua própria disciplina, que é meditação. A meditação consiste em estar consciente de cada pensamento, de cada sentimento; em nunca julgá-los como bons ou maus, mas em observálos e mover-se com eles. Nesse estado de observação, começa-se a compreender todo o movimento do pensar e do sentir. Dessa lucidez nasce o silêncio. […]. A meditação é um estado mental que considera com atenção completa cada coisa em sua totalidade, não apenas em algumas de suas partes. E ninguém pode ensiná-lo a ser atento.

Se algum sistema o ensinasse a maneira de ser atento, seria ao sistema que você ficaria atento, e isto ainda não seria a atenção. A meditação é uma das maiores artes na vida, talvez a “arte suprema”, e não se pode aprendê-la com ninguém: esta é a sua beleza. Não existe uma técnica, logo, nenhuma autoridade.

Quando você aprender a se conhecer, observe-se, observe o modo como caminha, como come, o que diz, a bisbilhotice, a raiva, a inveja – estar consciente de todas essas coisas em você, sem tecer julgamentos, faz parte da meditação. Assim, a meditação poderá ter lugar quando você estiver sentado num ônibus, ou caminhando num bosque cheio de luzes e sombras, ou enquanto estiver ouvindo o canto dos pássaros, ou contemplando o rosto do ser amado ou de seu filho. Compreenda que aquilo que a meditação é implica o amor: o amor que não é o produto de sistemas, de hábitos, de um método.

O amor não pode ser cultivado pelo pensamento; mas pode – talvez – nascer em um silêncio completo, no qual aquele que medita está inteiramente absorto. A mente só pode estar silenciosa quando compreende seu próprio movimento como um pensar e um sentir, e, para compreendê-lo, não deve condenar nada durante sua observação”.

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