Reflexão

5 Comportamentos que indicam Alta Inteligência Emocional

Travis Bradberry e Jean Greaves, autores do livro Inteligência Emocional 2.0, acompanharam 500 mil pessoas ao longo de uma década e descobriram que somente 36% delas conseguem identificar as suas emoções.

Afinal as emoções sempre vêm em primeiro, só depois nosso cérebro tenta racionalizar e entender o que está acontecendo.

Por exemplo, eu tenho muita dificuldade de falar em público, mesmo para uma audiência pequena.

Apesar de estudar bastante e sabendo exatamente o que tenho a dizer, na hora da ação, o medo fala mais alto.

É um tal de “eeeee”, “uuuhhh”, acabo gaguejando e confundo as palavras.

Então corro o risco de passar a ideia de não ter conhecimento sobre o que estou falando e todo o meu esforço anterior cai por terra.

Contudo, por mais que nos atrapalhem as vezes, as emoções nos tornam humanos, elas foram desenvolvidas a partir da nossa evolução justamente para nos ajudar e proteger.

Por exemplo:
O medo que nos leva a olhar para os dois lados da rua antes de atravessar, ir no médico fazer check-up e trabalhar para ganhar dinheiro.

E os momentos de felicidade liberam dopamina e endorfina no cérebro trazendo uma sensação de alívio e bem estar.

Uma expressão de raiva mostra aos outros o que não nos deixa contentes.

Ou seja, nossas emoções são úteis e não precisamos ser reféns delas, apenas encontrar a melhor forma de lidar com nossos sentimentos.

E é nesta hora que entra a inteligência emocional.

O termo Inteligência Emocional (IE) foi utilizado pela primeira vez em 1966 em um artigo científico do psicólogo americano Hanskare Leuner.

A IE é a capacidade de reconhecer os seus sentimentos e emoções e também das pessoas ao seu redor, sabendo a melhor forma de lidar com eles.

A inteligência emocional é o que nos impede de agir por impulso ou nervosismo e acabar se arrependendo das nossas decisões.

Além de ajudar a evitar problemas de saúde como pressão arterial, úlcera e alguns transtornos psicológicos como ansiedade e depressão.

Um dos nomes mais conhecidos desse campo de estudo e figurinha já carimbada nas publicações é o psicólogo e jornalista Daniel Goleman.

Ele foi responsável por popularizar o termo inteligência emocional, através do lançamento do seu livro em 1995 com esse nome.

A obra conseguiu tanto sucesso que esteve na lista de bestsellers do The New York Times por um ano e meio e vendeu mais de 5.000.000 cópias impressas e traduzidas em 40 idiomas.

Em seus estudos Daniel Goleman aponta 5 pilares da inteligência emocional.Autoconhecimento: capacidade de reconhecer as próprias emoções.

Controle das Emoções: capacidade de gerenciar as suas emoções.
Automotivação: se motivar e manter-se motivado.
Empatia: capacidade de se imaginar como o outro.
Habilidades sociais: conjunto de capacidades que permitem a conexão e interação com outras pessoas.
Baseado nestes 5 pilares, segue 5 comportamentos que demonstram inteligência emocional:

1. Conhece a si mesmo

O primeiro passo para a inteligência emocional é o autoconhecimento.

Pessoas com essa habilidade sabem descrever exatamente quais emoções estão vivenciando e por que estão sentindo.

Para isso elas têm um vocabulário extenso de sentimentos, facilitando o reconhecimento.

Um estudo feito pelo Laboratório de Interação Social da Universidade de Berkeley realizado com 853 homens e mulheres, identificou as 27 emoções que mais sentimos, seguem elas:

Admiração, adoração, apreciação estética, diversão, raiva, ansiedade, temor, constrangimento, tédio, calma, confusão, desejo, nojo, dor empática, êxtase, excitação, medo, horror, interesse, alegria, nostalgia, alívio, romance, tristeza, satisfação, desejo sexual e surpresa.

Outro comportamento de quem tem alta inteligência emocional é anotar os seus pensamentos, seja em uma agenda física, no celular ou em um blog na internet.

Eu como já que fico na frente do computador o dia inteiro, prefiro caneta e papel.

Tenho um caderno onde anoto as atividades do dia e frases que eu ouvi e achei interessante.

Também possuo um estojo com várias canetas coloridas, então cada dia escrevo com uma cor diferente de acordo com o meu humor.

Além de ser divertido escolher as cores e facilitar o planejamento, consigo identificar o meu nível de disposição.

2. Domina as suas emoções

Indo de encontro com o comportamento já citado, um bom indicativo de alta inteligência emocional é o controle das emoções.

Momentos de euforia e melancolia são naturais, mas pessoas com IE não se deixam dominar por eles, mas sim buscam equilíbrio.

É claro que determinadas situações pedem medidas rápidas e às vezes agir pela emoção é a melhor alternativa.

Mas para as outras, segundo Daniel Goleman, o ideal é estar preparado para responder e não reagir.

O impulso de reagir é um processo inconsciente, estimulado por um gatilho emocional, já o responder é um ato pensado onde primeiro o ser humano percebe o que está sentindo e decide como se comportar a partir disso.

Um caso clássico de falta de controle emocional acontece nas reuniões de família, pelo menos na maioria das que eu conheço.

As pessoas começam a beber, o sogro resolve cobrar um dinheiro emprestado para o genro a muito tempo na frente de todos os familiares, a filha entra no meio para defender e pronto!

A festa que era para ser um alegre momento em família se torna um barraco.

Para diminuir o descontrole, um hábito comum das pessoas com alta inteligência emocional é praticar atividades que estimulam o equilíbrio e a compreensão de si mesmo, como meditação e yoga.

3. Foca nos seus sonhos

Uma melhor autopercepção proporciona a clareza dos sentimentos e consequentemente das metas e objetivos.

Por isso uma pessoa com alta inteligência emocional tem foco nos seus desejos e sonhos e sabe o que é preciso fazer para alcançá-los.

Então, imagine se a tua prima, que sonha em passar no vestibular de medicina, ao invés de estudar, passa o dia inteiro na Netflix assistindo Grey‘s Anatomy?

Cada indivíduo tem uma maneira de se motivar e alguém com IE sabe qual é a sua.

Uma pesquisa feita pela escritora Gretchen Rubin, identificou 4 perfis de personalidade e suas motivações partindo do princípio que somos estimulados por expectativas internas e externas.

Os perfis são:

  • Defensores – que atendem prontamente às expectativas internas e externas, mas a falta de clareza pode desmotivá-los.
  • Questionadores – tendem a ser estimulados pela razão, lógica e justiça. Atendendo somente expectativas internas.
  • Obrigados – pessoas motivadas por expectativas externas, costumam ter dificuldade em dizer não.
  • Rebeldes – resistem a todos os tipos de expectativa e prezam pela liberdade e flexibilidade.

4. Coloca-se no lugar do outro

Segundo a neurociência a empatia envolve 3 componentes: afetivo, cognitivo e reguladores de emoções.

O componente afetivo diz que entendemos as ações e emoções alheias se espelhando nas nossas.

É no elemento efetivo onde entra a compaixão que nos faz querer cuidar uns dos outros.

Já o componente cognitivo se refere a nossa capacidade de raciocinar sobre o nosso estado mental e dos demais.

Tal como quando temos empatia por uma pessoa que perdeu filho mesmo que não sejamos pais.

E os reguladores emocionais definem as doses de empatia que destinamos a determinada pessoa ou situação.

Por exemplo, um cirurgião não pode sentir empatia pelo estado do paciente e sim focar nos procedimentos.

Ao entender os sentimentos e os problemas do outro é bem mais fácil criar uma conexão e solucionar conflitos.

Também uma pessoa com inteligência emocional costuma ser mais tolerante e compreensiva, pois tem consciência de que ninguém é perfeito.

Para perceber isso costumam praticar a escuta ativa.

A escuta ativa é uma ferramenta de comunicação na qual demonstramos interesse no que a outra pessoa está falando e evitamos ao máximo qualquer julgamento.

Podemos ver a escuta ativa na forma com que o Príncipe William e a Kate Middleton conversam com os seus filhos e com outras crianças.

Eles se abaixam e colocam-se na altura deles, conversando com eles olhando nos olhos.

5. Sabe se comunicar com o outro

Pessoas com alta inteligência emocional têm controle das suas próprias emoções e também entendem as dos outros.

Assim, fica fácil identificar a forma adequada de conversar com as pessoas ao seu redor.

Existem 6 tipos mais conhecidos de habilidades sociais, seguem algumas atitudes de quem as tem:

  • Habilidades assertivas: manifestar a sua opinião de forma equilibrada; lidar com erros; se desculpar.
  • Habilidades comunicativas: fazer e responder a perguntas, pedir opiniões; fazer elogios.
  • Habilidades empáticas: reconhecer os sentimentos e as necessidades dos outros.
  • Habilidades de sentimento positivo: expressar solidariedade; cultivar amizades.
  • Habilidades de civilidade: saber agradecer; se despedir.
  • Habilidades de trabalho: saber falar em público, liderar; mediar conflitos.

Uma habilidade que aprendi foi como evitar situações de estresse com a minha avó.

Quando ela entra na minha casa e começa a reclamar de como organizo a mobília, da louça que não está ariada, do sofá desencapado e por aí vai.

Simplesmente respondo “sim vó”

Sei que não adianta contrariar uma jovem de 83 anos, então para que se estressar?

Apenas respondo o que ela quer e deixo as coisas como estão.

Mas é importante pontuar que saber se comunicar é também dizer não quando necessário, mesmo se for difícil.

Então se é uma situação que realmente me afeta, me imponho, de maneira educada, mas me imponho.

Afinal, conseguir colocar limites também faz parte da inteligência emocional.

O que achou dos comportamentos? Se identificou com algum? Comente aqui em baixo!

Fontes:
https://febracis.com/5-pilares-inteligenciaemocional/
https://blog.psicologiaviva.com.br/inteligencia-emocional/
https://blog.woli.com.br/conheca-5-caracteristicas-que-demonstram-inteligencia-emocional/
https://www.napratica.org.br/o-que-e-inteligencia-emocional/
https://br.mundopsicologos.com/artigos/quais-as-principais-habilidades-sociais
https://exame.com/carreira/12-estrategias-para-ter-mais-inteligencia-emocional/
https://www.danielgoleman.info/
https://news.berkeley.edu/2017/09/06/27-emotions/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3644680/


 

Autora
Lúcia Pego dos Santos

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