Reflexão

Mindfulness: a arte de viver o presente

Quem está ao sol e fecha os olhos,
começa a não saber o que é o Sol 
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o Sol
E já não pode pensar em nada
Porque a luz do Sol vale mais que os pensamentos de todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do Sol não sabe o que faz e por isso não erra e é comum e boa.

Este é um trecho do livro do Fernando Pessoa, O Guardador de Rebanhos – Há metafísica bastante em não pensar em nada.

Escolhi esta citação para falar sobre sobre mindfulness, uma palavra que está em alta, dos cursos de meditação e as palestras e parece para nós (reles mortais) algo que só um monge tibetano consegue fazer.

Mas a verdade é que o mindfulness segue um conceito bem simples: atenção plena.

O que não acontece só quando você está em uma sala de meditação, já que meditar é viver o presente.

Escutei essa frase de uma instrutora de meditação e ela me marcou muito, afinal o senso comum é que para meditar você precisa estar em um ambiente calmo, sentado sobre uma almofada em posição de lótus.

É fato que se preparar e reservar um momento do dia para exercer a atenção plena facilita a prática.

Mas você pode viver o presente, olhando para o Sol, na fila do ônibus, assistindo a um filme ou lavando uma louça.  O importante é estar inteiramente naquele momento.

Então se você está limpando um prato, sentindo a água escorrendo pelas suas mãos, tirando o sabão e a sujeira você está praticando o mindfulness!

O problema é que na maior parte do tempo fazemos o oposto, fechamos os olhos e vivemos no piloto automático.

Ao invés de mover a nossa atenção para o prato a ser esfregado, pensamos nos 2 pedaços de pudim que comemos na sobremesa e não estavam na dieta.

Então tudo vira um borrão, ficamos desconectados do exterior presos aos próprios pensamentos, remoendo os erros do passado ou ansiosos com o futuro. E assim não conseguimos viver as experiências de forma plena.

Além do estado de piloto automático tem uma situação pior que o especialista em atenção plena Stephan Little chama de atenção alienada onde julgamos nossos pensamentos e ações constantemente.

Segundo ele, este comportamento tem origens na nossa criação, quando os nossos pais criticavam as nossas ações e nos diziam que deveríamos ser bonzinhos. Na fase adulta não conseguimos desviar deste olhar incriminador.

Outro motivo é sermos frequentemente alvos de campanhas de marketing que dizem a maneira certa de se viver e entender o mundo.

Pessoas que reprimem a vergonha saudável (reconhecer as nossas limitações) e carregam um sentimento pesado de culpa pelas coisas que não tem capacidade de fazer ou mudar também estão mais propensas a terem a atenção alienada.

Ser incapaz de viver o presente gera estresse, inquietação e sofrimento nas nossas vidas, pois não a vivemos na intensidade que queremos.

Por isso é importante nos reconectar aliando a atenção com a experiência.

Mas como fazer isso?

A resposta é muito simples: Seja a luz do Sol!

Relembrando o trecho do poema de Fernando Pessoa: “a luz do Sol não sabe o que faz e por isso não erra e é comum e boa”.

A luz do Sol, não fica pensando será que eu estou brilhando demais, ou de menos, se já é de noite e preciso me recolher. Ela simplesmente brilha.

Então, quando for assistir ao filme, deixe o celular desligado ou bem longe e relaxe no sofá.

Se você é convidado para a uma festa, não fique pensando quem vai estar lá, o que vão achar da sua roupa, do seu perfume, só vista o que desejar e vá para a festa.

Embora não sejamos tão perfeitos como a luz do Sol e erramos às vezes, não nos culpemos por isso, afinal, todo o erro é um aprendizado.

Mas só para constar o mindfulness não recrimina os pensamentos e reflexões, só os colocam no seu devido lugar (que não é no controle total da sua mente).

Por exemplo: você brigou com os seus pais, então ao invés de ficar o dia inteiro remoendo aquilo, você separa um momento do seu dia para repensar a suas atitudes.  Eu realmente estava certa? Será que eu exagerei? Devo pedir desculpas? Se sim, quando, como?

Escrevi aqui só um recorte do que é o mindfulness, existem outras vertentes e práticas que também compõem essa filosofia. Desejo que tenham apreciado.

Fontes:

http://arquivopessoa.net/textos/1482


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Autora
Lúcia Pego dos Santos

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